segunda-feira, 17 de maio de 2010

Estado Falaz

Por trás de uma linguagem pomposa aparentemente fundamentada em princípios benevolentes acerca da saúde de um povo, governos escondem suas raízes totalitaristas e desviam a atenção dos reais problemas da sociedade.

Não há nada mais em voga, hodiernamente, que a preocupação do Estado com a saúde de sua população, ou pelo menos, é essa a base do argumento em favor da lei contra fumo em locais públicos (restaurantes, casas de show, bares, boates, e etc. – contudo, “esquece-se” o governo, e aqueles que concordam com tal lei, de que estes lugares são privados); da lei que proíbe alimentos gordurosos em escolas privadas e públicas; propostas de taxas sobre esses alimentos para elevar seu preços, como é o caso do Reino Unido, da Romênia e da Dinamarca.

A fim de contrapor a sinceridade da diligência governamental para com a saúde de seus cidadãos, faço lembrar o simples fato de que em determinados lugares do Brasil há toque de recolher para menores de idade com a justificativa de que a cidade está violenta. Ora, é sério isso? Pensei que o fato de o Estado tomar conta de nossos hábitos se devesse ao fato de que não possuímos outros problemas que não referentes à nossa própria saúde.

Assim sendo, esse estratagema do Estado em prol da saúde de seu povo nada mais é que um artifício para desviar a atenção dos reais problemas de sua própria sociedade, pois moramos num país onde temos por volta de cinqüenta mil homicídios ao ano; onde o número de casos de violência (e não me refiro ao bullying, ainda) e formação de gangues em escolas só faz crescer (cerca de vinte mil alunos já entraram com revólver em suas escolas; meninas têm levado armas brancas para intimidar as colegas de classe); onde o consumo de crack está cada vez mais generalizado, não só isso, como também um aumento no número de assaltos e dos já citados homicídios, agora, por causa deste consumo; onde nossos estudantes tiram as piores notas nos testes internacionais. De qualquer modo, essas questões parecem não interessar ao Estado. Desse modo, o Estado comporta-se como um indivíduo que deixa de preocupar-se com a própria vida para esquadrinhar a vida alheia, e vai além, passa a impedir a individualidade alheia de ser exercida.

De que adianta mantermos nossa saúde intata, uma vez que ao sairmos de uma casa de show, de um restaurante, ou quando chegarmos ao nosso bairro seremos seqüestrados e, por conseguinte, assassinados? De que adianta manter nossas crianças longe da alimentação da qual lhes dá prazer em consumir, uma vez que elas ao saírem do colégio serão assaltadas? Ou pior, no caso de colégios públicos, serão assassinadas dentro da própria instituição de ensino? E mais além, agora em ambos os casos de colégios privados e públicos, sofrerão humilhação das quais desenvolverão traumas, transtornos de personalidade, fobias, e tutti quanti? A quem vocês, autoridades políticas, querem enganar? Ou vocês querem fazer com que evitemos o seu próprio sistema de saúde?

Dizer-se preocupado com a saúde referindo-se tão somente a questões sintomáticas não vai além da pura e simples empulhação. Preocupar-se com a saúde é, antes de tudo, preocupar-se com a vida em seus primeiros estágios. Desse modo, haveria de se reduzir drasticamente o número de gravidezes na adolescência, pois é uma questão verdadeiramente deletéria à saúde dessas novas crianças como da população em geral, pelo menos, doravante, já que suas mães, comumente pobres, não possuem condições psicológicas e nem financeiras para que possam prover uma boa educação às suas proles. Haveria de se controlar a programação televisiva que inculca nos jovens a cultura de exaltação das aparências, da sexualidade precoce e desregrada e da desvalorização da inteligência.

Que espécie de cuidado é esse com a saúde alheia que negligencia a saúde mental e mais dá importância aos direitos humanos de criminosos em detrimento dos humanos direitos?

Não se pode deixar com que sejamos ludibriados pelo Estado, perdendo nossa individualidade, nossa privacidade; privando-nos de nossos prazeres em nome da saúde nacional, quando esta mesma saúde de pouco vale num país onde cada vez mais temos nossa liberdade cerceada pela criminalidade reinante em nossas ruas.

Onde está nossa autonomia de seres pensantes?



3 comentários:

Filho Duma Égua disse...

O governo que ''mostrar serviço'' pelo maneira mais fácil : Bancar a babá .

Cômodo e de fácil interferência navida privada

Alegam que , essa atitudeajudaria a dessobrecarregar o sistema de saúde através de prevenção forçando a todos a uma vida saudável . Como naquela cidade do futuro daquele filme do Stallone ( O Demolidor ). E note que no filme, todos os cidadãos agiam meio feitos gado do Sr.Cocteau .

Quanto à violência , isso não será resolvido tão cedo até por que , além deser mais difícil , é a criminalidade que traz o caos amendrontador para população para que o Estado possa aparecer como o ''salvador'' em pequenas atitudes que nem arranham a estrutura da criminalidade mas que convencemos incautos , como colocar viaturas subindo e descendo as ruas e ....e nada , como bem apareceu num comentário sobre a reportagem do seu link que aponta para aquele assassinato na Bahia . Ou seja , é a política meio parecida com a do bode na sala .

Rayearth disse...

Onde está o nosso direito contra a violência psicológica?

Rick Hard disse...

Max, concordo que o estado não está cumprido com as obrigações que tem com a segurança.Mas as questões relativas a saúde não devem ser desprezadas.
Em lugares públicos, ninguém tem a obrigação de suportar outras pessoas fumando.Essa lei de proibição de fumar em público é com certeza correta.E quanto a alimentação das crianças, o pior mal não é gordura, o grande problema é o açúcar, o que quer dizer é que estão atacando o problema de forma errada.
O açúcar(sacarose) além de ser cariogênico é um dos fatores predisponentes a obesidade mórbida e diabetes, entre outras doenças.Com o açúcar amplamente distribuído na dieta, deram um jeito de colocar açúcar em quase tudo, aqui no sul, até na erva-mate já colocaram, justifica-se colocar FLÚOR(FLUORETO) na água de abastecimento da maioria das cidades brasileiras sendo esse um VENENO SISTÊMICO.Quer dizer, em vez de combater a causa das cáries( a sacarose), coloca-se um veneno sistêmico em pequenas quantidades na água de abastecimento dizendo que é seguro algo que acelera a degeneração mental e física da população( por que será que a maior parte da europa rejeita a fluoretação da água?).
Quem tiver interesse, tenho artigos científicos sobre o tema(tenho reunido), pode enviar pedido para richardigital@gmail.com

Falei da fluoretação, mas há também o problema das vacinas, maioria delas com MERCÚRIO(TIMEROSAL), as crianças desde o nascimento recebem diversas doses de MERCÚRIO, principalmente nos primeiros anos de vida e seguimos até a idade adulta recebendo mercúrio, quer dizer o durante todo o nosso período de desenvolvimento recebemos mercúrio que é NEUROTÓXICO E CUMULATIVO.E me pergunto qual o tamanho do prejuízo a capacidade de aprendizagem e inteligência da população?, e as doenças neurodegerativas e mentais que vem aumentando???

Infelizmente, o governo não ataca as questões mais relevantes pra saúde e os profissionais da saúde tem sido ignorantes e negligentes em relação a isso.